ABORDAGEM ARTESANAL, CRÍTICA E PLURAL / ANO 3 (18)

América do Sul, Brasil,

domingo, 3 de junho de 2012

O programa da austeridade


Paul Krugman* / Nobel de Economia (2008)
Tradução: Bernardo Caprara / Reproduzido do El País

“O ápice econômico (e não a crise) é o momento adequado para a austeridade”. Isso afirmava John Maynard Keynes há 75 anos, e tinha razão. Mesmo quando se tem um problema de déficit em longo prazo – quem não tem? –, diminuir drasticamente os gastos enquanto a economia está desaquecida é uma estratégia contraproducente, não faz mais do que agravar a recessão.

E por que o Reino Unido está fazendo justamente o que não deveria fazer? Ao contrário dos governos da Califórnia e da Espanha, por exemplo, o governo britânico pode adquirir empréstimos livremente a taxas de juros mais baixas do que nunca. Então por que o governo está cortando investimentos e eliminando centenas de milhares de empregos no setor público, ao invés de esperar a economia se fortalecer?

Nos últimos dias, tenho feito essa pergunta a alguns defensores de David Cameron (Primeiro Ministro da Inglaterra), tanto em ambientes privados, quanto na televisão. Todas essas conversas têm seguido um padrão semelhante: eles começam com uma metáfora ruim e terminam revelando os verdadeiros motivos ocultos. 

François Dubet e as desigualdades escolares antes e depois da escola


SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO - A Revista Sociologias, do Programa de Pós Graduação em Sociologia da UFRGS, apresenta no seu último número um dossiê sobre a educação e os desafios que ela encontra nesse momento histórico de valorização do conhecimento. Um dos textos principais, de autoria de François Dubet (foto), Marie Duru-Bellat e Antoine Vérétout, versa sobre as desigualdades educacionais, o fator escolaImagem retirada do sítio http://cvideo.ac-bordeaux.fr/preview/f_dubet.jpg e a influência dos diplomas. Segue o resumo do artigo e o link para prosseguir a leitura. Na página do texto pode ser visualizado o currículo dos autores.

A escola reproduz as desigualdades sociais por ser mais favorável aos alunos social e culturalmente privilegiados. No entanto, essa "lei" é demasiado geral para explicar as grandes variações na amplitude dessa reprodução, reveladas pelas comparações internacionais. Partindo desses estudos, o artigo mostra, em primeiro lugar, que essas variações não se explicam diretamente pela amplitude das desigualdades sociais. Para explicá-las é preciso levantar duas outras questões. A primeira tange à organização dos sistemas escolares, os quais podem aumentar ou atenuar o impacto das desigualdades sociais sobre as desigualdades escolares. A segunda se refere aos impactos da escola, à influência dos diplomas para a mobilidade social. O artigo demonstra que, quanto mais determinante for o papel dos diplomas, mais marcadas serão as desigualdades escolares e mais rígida será a reprodução das desigualdades sociais. Finalmente, a função atribuída à escola pelas diversas sociedades determinará a amplitude da reprodução social. Contudo, essa análise foi realizada a partir de uma amostra de países, logo a realização de estudos qualitativos complementares seria muito útil para melhor compreender como ocorre a reprodução social.

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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Florestan Fernandes no Roda Viva


Um dos maiores nomes da sociologia brasileira
Florestan Fernandes esteve no programa da TV Cultura

Logo após um dos seus orientandos mais próximos assumir a Presidência da República (Fernando Henrique Cardoso, em 1994), Florestan Fernandes (saiba mais) respondeu a uma série de questionamentos realizados pela bancada de jornalistas que compunha o programa Roda Viva. Na época, o sociológo estava Deputado Federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

O foco dos arguidores se manteve nas possibilidades de Fernando Henrique Cardoso enquanto presidente, nas concepções políticas do entrevistado e na visão que o mesmo estabelecia da realidade vigente. Florestan Fernandes salientou a necessidade de contrapor a “onda” neoliberal, criticou denúncias relacionadas ao PT e, inclusive, sublinhou que a sua conduta era disciplinada, mas não controlada ou submetida aos ditames do partido. Com mais de 50 livros publicados, Florestan Fernandes marcou para sempre as ciências sociais no Brasil.
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