ABORDAGEM ARTESANAL, CRÍTICA E PLURAL / ANO 3 (18)

América do Sul, Brasil,

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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Podcast do coletivo

 


Acesse o episódio completo aqui

No último episódio de 2025, propomos algo um pouco diferente: um memorial de personalidades da educação. Propomos um exercício de memória, reconhecimento e homenagem a trajetórias que marcam e marcaram o pensamento educacional, as lutas sociais e a defesa do direito à educação.

Ao longo do programa, revisitamos as contribuições de seis personagens fundamentais, cujas atuações, ideias e práticas ajudam e ajudaram a formar gerações, inspirar lutas educacionais e sustentar projetos pedagógicos comprometidos com a justiça social e com a pluralidade.

Feliz 2026, até os próximos episódios!


quinta-feira, 5 de junho de 2025

Podcast do Coletivo Sociologiartesanal: Educação e tecnologia no Censo Escolar



Lançamento do podcast! 💫💥

Escuta lá! > https://abre.ai/sa-podcast1

🎙 O coletivo sociologiartesanal apresenta o episódio piloto do seu podcast mensal, abordando a temática da tecnologia na educação, a partir de um olhar sociológico.

🎧 Com a apresentação do Prof. Bernardo Caprara e a participação de Pedro Bonifácio, estudante da Licenciatura em Ciências Sociais da UFRGS, e Micaela Severo Jessof, doutoranda no PPGS/UFRGS, abordamos a restrição e o uso pedagógico do celular nas salas de aula da escola básica.

💬 Neste episódio, entrevistamos o Prof. Rafael Barros, da Seduc/RS e da Rede La Salle, também mestrando no PPGS/UFRGS, e a Profa. Dra. Sara Zarucki Tabac, da UNIFAL.

🎚 A edição do episódio foi realizada pelo nosso mago da técnica Lucas Schmidt, estudante da Licenciatura em Ciências Sociais da UFRGS.


segunda-feira, 5 de abril de 2021

Soprando no vento

 Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Há quase 12 anos, todas as semanas eu convivo com dezenas de jovens estudantes. Para o bem e para o mal, sinto com eles a passagem do tempo e as mudanças que a acompanham.
 
Entre a vida, os textos, as aulas e as conversas, estamos todos sempre cheios de respostas. Só que, na real, elas se misturam a inseguranças, alegrias, angústias, avaliações, ambições e desejos dos mais variados.
 
A métrica das respostas depende da aprovação de alguém, seja do professor ou das redes sociais. O tempo acelerou e a cada minuto pode disparar nosso coração com mais um coração virtual, numa trama que de tão intensa, um tanto vazia se revela.
 
Sobram perguntas. Quantas estradas tantos terão que andar para se sentirem alguém? Quantas balas irão matar até que as balas morram? Quantas mortes irão ocorrer até que se entenda que morreram pessoas demais? As respostas, amigo Dylan, estão soprando no vento.
 
 

terça-feira, 23 de junho de 2020

Resenhando Saberes #02: Jornalismo e fake news no século XXI


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Na segunda troca de ideias sobre temais atuais, conversei com o jornalista Estêvão Pires da Silva, que possui quase 15 anos de experiência no exercício do jornalismo profissional, tendo trabalhado em diversos veículos de comunicação importantes do Sul do Brasil - em rádio, internet e televisão.




Estêvão nos deu uma verdadeira aula sobre jornalismo profissional. A conversa girou em torno de três tópicos: (1) os detalhes da rotina profissional do jornalista, e as diferenças entre jornalismo e fake news; (2) as condições do trabalhador do jornalismo e os oligopólios das grandes empresas de comunicação; (3) o futuro da atividade jornalística, neste século em que a informação deve estar no centro dos debates mais relevantes.

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terça-feira, 10 de abril de 2018

O perigo da pós-verdade

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Uma das coisas mais preocupantes no tempo presente e no futuro próximo é a avalanche de notícias e informações falsas chegando para cada um de nós, por meio de várias plataformas. Se com a falsificação de textos e imagens uma parcela enorme da sociedade já tem dificuldades de distinguir o que é verdade e o que é mentira, quando se popularizar a manipulação de vídeos e áudios nós estaremos, literalmente, mais que perdidos. Isso já tá rolando, sob a alcunha de “deep fake news” (“falsificação profunda de notícias”, em tradução livre). 

Uma das loucuras nisso tudo é que a discussão sobre o “estatuto da verdade” já existe há muito tempo na Filosofia e nas Ciências Humanas. Entre as notícias que recebemos no cotidiano, em geral temos condições de distinguir o que é falso e o que não é. Em grande parte ainda é simples separar o joio do trigo. Já existem até sites e jornalistas fazendo isso. Ocorre que a noção de “fact check” (“checar os fatos”), esgaçada até o limite, não nos leva a um lugar conclusivo. É fácil questionar diversas conclusões dos “checadores de fatos” sobre determinados temas mais complexos, que envolvem maior subjetividade. A menos que se cheque absolutamente tudo (tarefa insana!), a própria seleção do que checar já denota alguma ausência e pode enviesar um debate.

No fundo, Jornalismo e Ciências Humanas estão diante da popularização de algo que atravessa os nossos fazeres profissionais há um bom tempo, que é a necessidade de estar sempre discutindo o que se entende por verdade. No Jornalismo, temos, sobretudo, a questão da imparcialidade. Nas Ciências Humanas, pra falar só de alguns caminhos, podemos pensar que a verdade é objetiva e basta pesquisá-la; que ela é objetiva, mas é preciso um trabalho de pesquisa metódico e sistemático; podemos pensar que só temos condições de conhecer uma parte dela, porque a verdade é carregada de subjetividades; ou, enfim, que o foco não deve estar na busca da verdade, mas somente nas subjetividades das relações humanas.

Nas últimas décadas, o distanciamento da comunidade científica e a seletividade ideológica dos meios de comunicação de massa ajudaram a pôr essas instituições sob a desconfiança de diferentes setores da sociedade. A essa altura do campeonato, com o mundo em chamas, parece que estamos à deriva, e que diferentes grupos disputam a direção de um barco que ninguém calcula pra onde vai. Nessa batalha, perdemos todos. Sem o mínimo de confiança nas mensagens que nos bombardeiam sem parar, em qual mentira vamos acreditar?

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sexta-feira, 7 de abril de 2017

A importância do bom jornalismo


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Qual a importância do jornalismo? No dia do jornalista (07/04), vale refletir sobre isso. Apesar de ser a minha primeira graduação, nunca fui jornalista. Não pretendo vir a ser. Minha praia é a docência e as Ciências Sociais. Ainda assim, há um ponto de conexão entre ambas as profissões que me parece pouco explorado.

Jornalismo é produção de informações. Para produzir informação, é preciso investigar o acontecimento, ouvir as diferentes partes envolvidas e elaborar uma narrativa fidedigna do que realmente ocorreu. Só da frase acima, já poderiam surgir discussões ontológicas (o que é a realidade?) e epistemológicas (como conhecer a realidade?). São debates fundamentais, complexos e demorados. Exigem boa formação e boa interpretação de texto.

Onde estão os bons jornalistas? Estão por aí, com certeza. Muitos labutam em grandes veículos de comunicação. Diversas vezes, são sufocados pela hierarquia das empresas, pelos anunciantes que as financiam e pela disputa feroz no mercado da informação. Quem vai dar a notícia em primeira mão? Quem vai conseguir aquela foto que ninguém tem? Quem vai "perder" tempo investigando a fundo? Velocidade e superficialidade substituem apuração e profundidade.

Informação de qualidade virou artigo de luxo. Boatos e mentiras são usados como verdades, seja na política, na imprensa ou no churrasco de domingo. Nesse cenário, é cada vez mais importante o papel do bom jornalista. Aquele profissional que destrincha os acontecimentos. Investiga com rigor. A credibilidade do jornalismo depende dessa tarefa básica. Falar bem na frente da câmera, produzir releases ou dizer aquilo que agrada ao patrão qualquer um pode fazer.

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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Que tipo de República?

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Em 2018, a Constituição Brasileira em vigor completará 30 anos. Rasgada, amassada, assassinada, tornada fisiológica na vida prática. O Brasil parece que vive correndo atrás do próprio rabo. No dia 15 de julho de 1985, o saudoso professor Florestan Fernandes escrevia, na sua coluna em um jornalão desses oligopolizados, a respeito de qual seria o tipo de República que sairia da nova Constituinte e da transição “lenta, gradual e segura” pregada pelos militares. Quase três décadas depois, não deixa de ser impressionante a atualidade das suas considerações. 

“Os fatos mais clamorosos voltam a exigir definições claras, na teoria e na prática. Os coveiros da Independência e da República, os que tornaram impraticável qualquer forma precária e rudimentar de convívio cívico e democrático dentro da Nação, e através da Nação, retomam a linguagem do egoísmo cego e a ação desenvolta da violência dos que ‘tudo podem’. (...) São fatos que nos obrigam a abrir os olhos. Há uma guerra civil permanente e aberta em nossa sociedade civil. E é uma guerra sem quartel. Os privilegiados não abrem mão de nenhuma partícula de seus privilégios e brandem, por qualquer coisa, as armas brancas da degola e suas bandeiras ‘sagradas’, que põem a propriedade e a iniciativa privada acima de sua religião, de sua pátria e de sua família. (...) Sob a sua ótica, o que não coincidir com a intocabilidade da ordem estabelecida e todas as suas iniquidades é ‘comunismo’ e precisa ser banido de nossa terra! (...) A República teria de ser uma república de senhores, uma oligarquia perfeita, movida por interesses particulares absolutos e pela ideia de que o único ‘bem comum’ válido emana do comensalismo agressivo, secretado por aqueles interesses particulares” [1].

O título da esquecida obra de Florestan, que condensa os seus textos no jornalão oligopolizado, às vésperas da Constituinte de 1988, faz lembrar o que diz o filósofo grego Aristóteles sobre a justiça. Se decisões sobre justiça devem ser precedidas pelo debate acerca do objetivo das instituições sociais e sobre as qualidades dignas de valorização e reconhecimento, a pergunta do grande sociólogo brasileiro persiste: “Que tipo de República?”.

Referência

[1] FERNANDES, Florestan. Que tipo de República? São Paulo: Brasiliense, 1986. Páginas 75-76.

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terça-feira, 1 de março de 2016

Mais fatos e menos boatos

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Uma das coisas mais constrangedoras das redes sociais é a quantidade absurda de boatos e mentiras deslavadas compartilhadas pelos nossos contatos - inclusive por pessoas que gostamos e admiramos. Essa tendência é realmente preocupante. Parece demonstrar, em alguma medida, o desinteresse completo por uma informação precisa, que seja condizente com a realidade. O que as pessoas parecem querer é apenas afirmar as suas ideias com chamadinhas bonitinhas e polêmicas.

O saudoso escritor italiano Umberto Eco e o reconhecido escritor espanhol Javier Marías foram mais longe na crítica: disseram, em entrevistas, que a internet deu voz e organizou a imbecilidade. São afirmações fortes, mas que, para a tristeza geral, fazem sentido. Uma tarefa urgente para aqueles que gostariam de ver a internet repleta de informação de qualidade e redes de conhecimento é insistir sempre na busca pela informação precisa e contra a disseminação da boataria e da mentira.

Tarefinha inglória, ainda que fundamental: separar o joio do trigo. Buscar mais fontes. Procurar no Google. Investigar. Comparar notícias. Comparar a credibilidade de quem publica. Enfim, aprender a pesquisar na internet, de modo a acrescentar algo ao mundo virtual, e não rebaixá-lo ao universo da desinformação autoproclamada. Que dureza!

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quinta-feira, 7 de maio de 2015

O bom da internet?

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Conversas cotidianas.

- O bom da internet é que eu só vejo o que eu quero.

- Será que isso é bom?!

- Ué, e por que não seria?

- Sei lá, as pessoas não estariam cada vez mais bitoladas? Cada vez mais irreflexivas e presas num nicho específico de ideias?

- Como assim?

- Se tu não te propõe a ver, ler ou escutar o contraditório, aquilo que contraria o teu interesse, acho que tu vai ficando muito intolerante. E o pior, vai ficando com menos conhecimento sobre as coisas.

- Mas se tu te aprofunda num jeito de ver as coisas, por que ficaria com menos conhecimento sobre as coisas?

- É... depende de qual o tipo de material que tu acessa na internet. Só que eu ainda acho que o contraditório é importante. Faz pensar sobre o que é diferente daquilo que nos interessa, daquilo que nós defendemos.

- Pode ser. Eu vejo páginas da rede social, vejo blogs, sites e tal.

- Beleza. E tu te preocupa com as fontes do que tu vê? De onde vêm os argumentos?

- Vêm dos sites, dos blogs e das redes sociais.

- Esse é outro problema. Minha pergunta é se tu sabe se é apenas uma opinião, se é um conteúdo fruto de pesquisa, de reflexão. Qual o critério que tu usa pra acreditar naquilo?

- Se tá lá, publicado, e eu concordo... esse é o critério.

- Então... esse é o meu receio de não buscar o contraditório. Algo que não está entre o que nós defendemos pode incomodar, mas pode ajudar a fazer a gente correr atrás e ver se é real ou não.

- Hmm.

- Acho que é preciso mais do que estar publicado para que a gente possa usar como critério daquilo que defendemos. Investigação, reflexão, fontes confiáveis, estudos aprofundados, enfim, são coisas que podem nos ajudar a fazer com que a gente não caia na vala comum das opiniões sobre tudo e sem relação com a realidade.

- É. Pode ser.

Pensamentos cotidianos.

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segunda-feira, 16 de março de 2015

Por mais democracia

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Sobre os protestos de ontem: dirijo-me aos amigos e conhecidos que exerceram o seu direito democrático de criticar o governo, a corrupção e até pedir a saída da presidente eleita há poucos meses. Ponto para a democracia. Manifestar-se é legítimo.

Porém, peço licença para compartilhar convosco uma preocupação. Vocês dividiram espaço com coisas muito bizarras e lamentáveis, coisas que vocês certamente não concordam. Nos seus próximos atos, não caiam na armadilha de defender ditaduras militares, o machismo, a homofobia, o racismo, o ódio ou a agressão ao seu semelhante de camisa vermelha.

Não caiam na armadilha de acreditar que vivemos numa ditadura comunista/esquerdista, com um liberal ortodoxo no Ministério da Fazenda; com eleições financiadas por empreiteiras e construtoras capitalistas; com um atuante imaginário meritocrático, individualista e apologista da competição feroz; com tantos direitos trabalhistas desrespeitados diuturnamente em prol do enriquecimento de uns cada vez mais poucos cidadãos; com uma mídia hegemônica reacionária e cheia de contas secretas na Suíça. Não, definitivamente o Brasil não vive uma ditadura comunista/esquerdista.

Leiam Paulo Freire, não arrotem seu nome por aí. Ele é um dos intelectuais brasileiros mais respeitados no campo da educação em todo o planeta, sobretudo nos países que vocês mais admiram. É só verificar. Buscar conhecimento e informação. Não repitam que a educação brasileira é dominada pelo marxismo, pelo gayzismo ou qualquer ismo considerado de esquerda. Ela não é. Muito pelo contrário, a educação formal brasileira reproduz o arbitrário cultural dominante, na sua maioria. Um ideário do ter, não do ser; do eu, não do nós; da vitória contra a derrota.

Desculpem os meus receios e medos postos a público. É que eu não gostaria de vê-los bradando ao lado de fascistas de qualquer estirpe. Lotem as ruas. Preparem-se bem e critiquem o PT por aquilo que ele deve ser criticado. Por Belo Monte. Pela corrupção endêmica que o partido hoje faz parte. Pelo prosseguimento das políticas de drogas e segurança pública autoritárias em vários aspectos. Por se aliar com partidos escrotos como o PP e o PMDB. Enfim, pautas não vos faltam e faltarão.

Não se unam aos que desprezam a democracia. Usem o seu direito democrático de manifestação para aprofundar a democracia, não ajudar a corroê-la. Eu não estarei lá, mas espero que esteja vivendo, trabalhando, dialogando, tomando uma cerveja e abraçando vocês como sempre, dispostos que estaremos a achar um caminho negociado para as nossas diferenças.

Por fim, quero deixar claro: o meu campo político não é o que estava nas ruas ontem. De certo, cada vez menos tem a ver com o PT. O meu campo político eu não sei definir, mas ele pauta-se pela busca da redução da concentração de riquezas, pelo fim das opressões, pelo exercício profundo da democracia e dos direitos humanos, pelo fomento de políticas sociais contundentes e de várias coisas que provavelmente seriam escorraçadas das ruas por alguns no dia de ontem. Espero que vocês não venham a estar entre eles.

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Na lama até as entranhas

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Começa o telejornal mais assistido do país. O telespectador pensa alto:

- Cerca de 15 minutos com matérias sobre a corrupção numa das maiores empresas de petróleo do mundo. Mais de 15 minutos demonstrando como o partido no governo desde 2003 está envolvido de cabeça no pagamento de propinas e no superfaturamento de obras. Mais um partido da ordem.

Nesse tempo todo, nem uma palavra sequer sobre uma informação importante da delação premiada que embasou todas as denúncias aparece na tela. O telespectador, que leu o documento da delação, pensa alto outra vez:

- O operador em questão começou a receber propina desde 1997 ou 1998. Época em que o principal partido da oposição na atualidade comandava o país. E agora pagam uma de bastiões da honestidade. Só que não! O jogo é sujo e não começou hoje. Sem fazer relações e buscar a historicidade dos fatos, fica difícil uma informação de qualidade.

Irritado, finaliza seus pensamentos em alto e bom tom, a despeito da desinformação que consumiu daquela empresa de comunicação:

- Os partidos da ordem estão atolados na lama até as entranhas. A mídia hegemônica também.

 

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Desconfiar é preciso

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Há um texto do genial Eduardo Galeano em que a desconfiança é celebrada. A história é singela. Um professor conclama os estudantes a se manifestarem quando, após o mestre abrir um pote com perfume, eles sentirem o cheiro. Com o pote quase aberto, alguns já declaram a força do aroma. E assim todos o fazem. Até que alguns pedem que se abra a janela, pois o cheiro está forte demais.

O professor, calado, apenas observa. E logo conta aos educandos: o pote está cheio de água, não há perfume algum.

Tal historinha passa pela cabeça acompanhando os noticiários dos grandes meios de comunicação. Como se os que vestem as suas camisas dissessem: nestas telas, nestas páginas ou neste rádio está a informação imparcial e verdadeira. Ao acreditar, os apressados cometem um grave engano. O que há ali é uma versão, uma versão que interessa a uma determinada visão política. Um simulacro da vida real. Que, nesse caso, exala um forte cheiro de excremento - para ser gentil.

Desconfiar é preciso. Desconfiemos.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Ser ou não ser Charlie não é a questão


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Ser ou não ser Charlie Hebdo, eis a questão?

Seria pouco. Seria reduzir demais um debate muito complexo e cheio de paradoxos.

Primeiro paradoxo: muitos defendem a liberdade de expressão como um bem supremo. Importante. Deve ou não deve ter limites? Na França, a legislação coíbe a injúria, a difamação, a incitação ao ódio, à violência e à discriminação. Há limites. Charlie Hebdo não pode ser enquadrada nesses pontos? Apenas o humorista francês Dieudonné M’Bala, detido ontem, pode ser enquadrado nesses pontos? E os fascistas que podem ganhar as próximas eleições por lá, não podem ser enquadrados nesses pontos? Se a liberdade é irrestrita, que seja para todos. Se há limites, que valham para todos. Não?

Segundo paradoxo: por aqui, o que mais se vê são as justas condolências pelos mortos franceses. Justas condolências. O terrorismo é injustificável. Indefensável. Em geral, associa-se ao terrorismo o Hamas, o Estado Islâmico, a Al Qaeda. Ok. Suas variantes ocidentais, entretanto, são esquecidas. As ações militares do Estado de Israel e dos Estados Unidos são justificáveis? Os extermínios dos palestinos, dos iraquianos, dos jovens negros e pobres brasileiros, dos estudantes mexicanos, dos nigerianos e de tantos outros civis são justificáveis? Se o combate ao terrorismo e à violência é prioridade, que seja para todos. Inclusive no ocidente. Não?

Por fim, do ponto de vista teórico, além de ser impossível deixar de falar no colonialismo, tão recente e com profundas feridas ainda abertas nos povos saqueados, um debate em especial parece decisivo na atualidade. A discussão sociológica e antropológica entre o relativismo cultural extremo e o etnocentrismo pode estar na ordem do dia. Num contexto de valorização de determinados elementos culturais e de rejeição ao diferente, cabe apenas aderir ao polo oposto? Relativizar tudo? Que se respeite cada tradição cultural e que não haja limites para elas? Onde está o caminho?

Vale pensar.

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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Patriarcalismo cosmopolita

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Uma cidade cosmopolita é demais. Muito massa. Mesmo. Mas, de todos os aspectos negativos que a circulação dos estrangeiros evidencia (brigas, assaltos, racismo, etc.), um deles quase independe das nacionalidades: o machismo. Refiro-me exclusivamente às atitudes dos homens. Não estou falando dos locais de festas e encontros de multidões. Apenas das ruas comuns da metrópole. Das situações em que as mulheres são abordadas como pedaços de carne num balcão, e precisam se virar nos trinta para seguir o seu caminho sem arranhões (físicos ou simbólicos). Vi uma série de acontecimentos como esses protagonizados pelos turistas.

Na grande mídia, como sempre, a reprodução: acerca das mulheres no evento que hegemoniza as pautas, só se fala das beldades. Corpos bonitos e nada mais.

O patriarcalismo segue oprimindo. Em boa parte do mundo.

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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Desinformação na era da informação


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Ah, tá. Dizem que agora a moda dos cidadãos de bem é fazer justiça com as próprias mãos. Irônico, pois isso é ilegal, pelo menos no Brasil. Criminosos caçando criminosos, então? Trágico, visto que se materializa em mais e mais injustiças.

Não há evidências de uma enfermidade ou loucura geral. Parece haver, aí sim, uma imensa dificuldade de enxergar o outro e uma preguiça para pensar. Mas, além disso, parece estabelecer-se um paradoxo cruel: nunca tivemos tanto acesso a informação e muitos estão cada vez menos informados.

Quem linchou, não sabia as razões de tê-lo feito. Não mudaria nada se soubesse, continuaria comentendo um crime bárbaro, mas o fato é que não sabia. Quem leu a manchete, acreditou e se deu por satisfeito. Não foi atrás de mais nada. Cegou-se e foi para o conflito com a opinião rival. “Informado”, desinformou-se. Não quis o diálogo. Extravasou sabe-se lá o quê. Treinado pela maioria da mídia padrão, que também investiga muito pouco e dita meias verdades. Quase retornou à Idade Média europeia e aos suplícios públicos, aplaudidos de pé por manadas sedentas pelo sangue alheio. E ainda se julgou cidadão de bem – conceito mais vazio, impossível.

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sexta-feira, 21 de março de 2014

Entre o real e as aparências

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Chovia. O dia era feio demais. O rádio não parava de espalhar impropérios.

- Mulher não quer entrar na política! Elas querem é ficar em casa, não querem enfrentar as dificuldades!
- Acho que não tem que ter cotas para mulheres na política. Cada uma faz o que quer. Se elas não participam é porque não têm vocação!
- Esse negócio de mulher na política vai acabar com a família brasileira!

Náuseas. Fui tomado por elas. Pensei. Entre a realidade e a aparência há um labirinto de relações e acontecimentos. Lembrei o Mito da Caverna, narrado por Platão. Viajei. Quando se trata do papel da mulher na vida social, o universo masculino permanece na escuridão. Achando que as aparências traduzem o real. Negando a possibilidade de ultrapassar a penumbra. Com medo do protagonismo e da auto-organização feminina/feminista.

Enfrentar a sua própria caverna é o mínimo, é obrigação. Pode não ser fácil, mas já passou da hora de tentar.

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domingo, 16 de março de 2014

O discurso vazio sobre os impostos


Por Mariana Schreiber
Da BBC Brasil

Reclamar dos impostos é hábito comum da elite brasileira. Mas uma comparação internacional mostra que a parcela mais abastada da população não paga tantos tributos assim. Estudos indicam que são justamente os mais pobres que mais contribuem para custear os serviços públicos no país.

Levantamento da PricewaterhouseCoopers (PWC) feito com exclusividade para a BBC Brasil revela que o imposto de renda cobrado da classe média alta e dos ricos no Brasil é menor que o praticado na grande maioria dos países do G20 – grupo que reúne as 19 nações de maior economia do mundo mais a União Europeia.

A consultoria comparou três faixas de renda anual: 70 mil libras, 150 mil libras e 250 mil libras – renda média mensal de cerca de R$ 23 mil, R$ 50 mil e R$ 83 mil, respectivamente, valores que incorporam mensalmente o 13º salário, no caso dos que o recebem.

Nas três comparações, os brasileiros pagam menos imposto de renda do que a maioria dos contribuintes dos 19 países do G20.

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Continuar leitura…
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Escrevendo

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Pensava. Por que escrever? O que isso pode significar?

O potencial de espalhar a própria percepção sobre os acontecimentos carrega um paradoxo consigo. Por um lado, libertamo-nos um pouco das amarras da triagem feita pelos grandes meios de comunicação. Por outro, às vezes, perdemos a noção do universo que envolve proferir palavras, frases e parágrafos mundo afora.

No mínimo, as ideias articuladas em texto, quaisquer delas, trazem uma parcela de imprevisibilidade quanto ao sentido que os leitores darão às mensagens oferecidas. As consequências individuais ou coletivas das nossas atitudes linguísticas parecem ultrapassar, nessa imensidão simbólica da realidade atual, qualquer capacidade que temos para mensurá-las. Isso não significa apenas que a repercussão vai ser grande ou pequena, mas que ela pode ser múltipla, variada e indesejável.

Eu sei. No afã de verbalizar as coisas, os anseios e seja lá o que for, há momentos em que subtraímos em nós mesmos a capacidade de silenciar, refletir e reestruturar os pensamentos. E se for para escrever, libertar um mundo de imaginação sobre o real, qual será o risco? Uma pergunta que responde as duas primeiras.

Não sei. Quero saber fazendo. Errando e acertando. Escrevendo.

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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Egos e ervilhas

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Desconfio de qualquer jornalista. Quando foi que uma profissão tão relevante tornou-se o berço de impropérios e lugares comuns? O que leva um sujeito que é treinado para ouvir distintas versões sobre os acontecimentos a proferir sentenças absurdas como o dono da verdade?

Alguns colunistas/jornalistas, dia após dia, carimbam a população com a sua pretensa sabedoria. Quem os lê, por sua vez, pode acreditar que eles devoraram os clássicos da filosofia, das ciências sociais e da literatura. Apesar de achar pouco provável, até não duvido que algum conhecimento possa se debater nestas mentes confusas.

Uma das últimas pérolas que li discorre sobre o radicalismo e o idealismo, através de dois exemplos específicos: o feminismo e a figura de José Dirceu. Não há, entretanto, sequer uma definição sobre qualquer um dos conceitos. Para as ideias soltas expostas no texto, tanto o movimento de emancipação da mulher, quanto o político petista se traduzem em manifestações individuais de egoísmo atrelado a um ego faminto por reconhecimento.

Interessante. Sem sentido, mas interessante, do ponto de vista retórico. Uma das técnicas retóricas mais conhecidas é dizer que o outro faz aquilo que estamos fazendo. Bingo! Quanta semelhança com o referido texto. Radical e egoísta e chamando os outros disso tudo. Quanta semelhança com os jornalistas que escrevem sobre tudo e todos, mas se legitimam apenas a partir da amplitude que o veículo de comunicação no qual trabalham alcança na sociedade.

Um dos maiores sociólogos do século XX, o francês Pierre Bourdieu, defendia que as ciências sociais precisam buscar sempre um afastamento das noções cotidianas acerca do real. Uma espécie de vigilância na produção do seu conhecimento, uma ruptura inspirada em Gaston Bachelard. Nessa linha, muitas das assertivas erigidas desde a compreensão espontânea sobre a vida social resvalam em pré-noções, que podem, sim, derivar na reprodução de um arbitrário cultural específico.

Pois bem. Dizer que não há machismo na contemporaneidade é contrapor relatos, experiências detestáveis e estatísticas lançadas por organismos de pesquisa sérios e com mais credibilidade do que o cérebro de jornalistas sabichões. A Organização das Nações Unidas (ONU) não faz rodeios quando retrata a situação da mulher no cenário atual. Cerca de 70% dos seres humanos femininos sofrem algum tipo de violência no decorrer das suas trajetórias na Terra. Uma em cada cinco pessoas femininas será vitimada por tentativa de estupro durante a sua trajetória neste planeta.

Os dados são, infelizmente, incontestáveis. Estão aí para qualquer um ver. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), deste ano, não deixa dúvidas: “Destaca-se a necessidade de reforço às ações previstas na Lei Maria da Penha, bem como a adoção de outras medidas voltadas ao enfrentamento à violência contra a mulher, à efetiva proteção das vítimas e à redução das desigualdades de gênero no Brasil”.

Só que essa é só a ponta de um trágico iceberg. Basta olhar para a história humana com rigor, não somente escrever livrinhos feitos para ganhar dinheiro e inchar as ervilhas presentes nas cabeças alheias. O resultado da caminhada machista recai, nos dias de hoje, naquilo que Bourdieu conceituava como violência simbólica. Uma violência, uma dominação que não demanda obrigatoriamente a força física, mas se configura em elementos simbólicos e atitudes. Além disso, que se imiscui no próprio indivíduo que sofre a violência, fazendo com que ele não a entenda como tal.

Salvas as exceções que confirmam as regras, os movimentos pela emancipação da mulher, sob a égide do que se conhece por feminismo, não pretendem inverter a opressão. Não querem que os homens passem ao papel de oprimidos, e as mulheres de opressoras. Querem a justiça. Querem que as mulheres sejam do jeito que bem entenderem. Que se vistam do jeito que bem entenderem. Que ajam da maneira que bem entenderem. Sem receios de serem subjugadas, estupradas ou julgadas por uma moral hipócrita que não resiste à meia dúzia de argumentos.

Um minuto para respirar. Ter que articular essas palavras tão óbvias dá uma descrença na humanidade, capaz de fazer perder o ar. Sigamos.

Quando tratamos de José Dirceu, aí a coisa tende a ficar ainda mais óbvia. Os festejados escritores de textos bonitinhos – e sem conteúdo – esquecem (ou desconhecem) totalmente as intermitências da cena política e ideológica nacional. Isso que dá jornalistas quererem distribuir verdades compulsórias e irrefletidas.

Desde a década de 1990, as principais correntes “idealistas” começaram a cair fora do Partido dos Trabalhadores (PT). Grande parte dos grupos organizados sob a bandeira de um socialismo mais genuíno (sem trocadilho), sob os preceitos do “Programa de Transição” de León Trotksy ou da sua atualização, nas feições de Nahuel Moreno, não está mais no PT faz tempo. No momento em que a sigla assumiu o Governo Federal, aí toda essa lambança ideológica veio à tona de vez.

O documento intitulado “Carta aos Brasileiros” marca em definitivo o afastamento do PT de uma linha ideológica comprometida com os ideais da esquerda mais radical. Não é imperativo desfrutar de grandes saberes para descobrir isso. No entanto, deve-se buscar informação, reflexão e alguma lógica entre as palavras e a realidade. Muito mais fácil é sair digitando lugares comuns.

Hoje, José Dirceu não é um radical idealista. Nem aqui, nem em Cuba, nem na França, nem na China, nem nos Estados Unidos, nem na Alemanha. Dizer esse absurdo é patinar no barro das falácias dos dizeres espontâneos. Ação que traz pequenos problemas na mesa do bar. Contudo, que se faz lamentável para jornalistas e escritores de renome. Que ajuda a reproduzir desigualdades e opressões. Embora o PT diferencie-se um pouco dos demais partidos por um caráter mais propenso às classes populares, os banqueiros nunca lucraram tanto quanto nos seus mandatos. Os ricos enriqueceram ainda mais. Como pode um líder dos grupos dominantes dessa organização ser, neste contexto, um idealista radical? Alguém me explica, quero compreender.

Sugiro a leitura do texto da sensacional Eliane Brum, na sua estreia no El País, do qual cito este pequeno trecho: “A mudança é um momento agudo de um processo histórico no qual Lula e o PT tiveram, mais do que qualquer outro político e partido, uma contribuição decisiva, no concreto e no simbólico de sua ascensão ao poder. Apartaram-se, porém, e parecem estar bem menos preocupados do que deveriam com seu divórcio com as ruas. O braço erguido, o punho cerrado, é um capítulo melancólico de um partido que parou de escutar”.

Neste mundo de hoje, ser homem, branco e com condições razoáveis de sobrevivência econômica e não perceber todas as opressões e desigualdades que atravessam a nossa existência é algo análogo a uma ofensa grave à espécie humana. Por isso, dedico-me todos os dias a ajudar a criar as oportunidades que tive para outros seres humanos. Dedico-me todos os dias a desconstruir os alicerces simbólicos das injustiças no diálogo com os estudantes que tenho a honra de poder trabalhar.

Por fim, o feminismo e José Dirceu só são radicalismos idealistas no instante em que o ego se junta à ervilha. Ego e ervilha juntos formam um amálgama catalisador de preconceitos, irresistível para quem pensa que pode escrever sobre tudo, mas não se aprofunda em nada. Em alguns casos, assim caminha a humanidade.

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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Filosofia Tiranossauro Rex

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Uma das iniciativas menos proveitosas do momento reside em acompanhar comentários de grandes portais na internet. Que baita merda enveredar nessa tarefa. Outra: ler os editoriais dos jornalões tradicionais. Que asco!

Parece haver uma espécie de Filosofia Tiranossauro Rex perpassando os conteúdos expostos nesses locais. Um “pega, mata e come” (pós)moderno. Uma ode aos de cima, um desprezo aos de baixo. Não há relações entre acontecimentos. Não há passado, origens ou sequências prévias conectadas ao aqui e agora. Há – isso sim – muita raiva, rancor, vingança, imediatismo, irreflexão, elitismo e simplismo nos ditos argumentos. Intolerância aos borbotões.

Diz uma música do Jorge Ben Jor: “Que pra acabar com a malandragem, tem que prender e comer todos otários...”. Talvez nos tempos dos dinossauros essa fosse a regra. Esse tempo já se foi. O Código de Hamurabi ficou pra trás. Será mesmo?

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