ABORDAGEM ARTESANAL, CRÍTICA E PLURAL / ANO 3 (18)

América do Sul, Brasil,

sábado, 9 de junho de 2012

Homenagem a Antônio F. Pierucci


Infelizmente, a morte chegou para um dos grandes sociólogos brasileiros. Antônio Flávio Pierucci (saiba mais), então professor da USP, faleceu vítima de um infarto na sexta-feira (08) do presente mês. O sociólogo paulista tinha 67 anos e, além de professor da USP, haviado pesquisado para o CEBRAP e desde 2001 oImagem reproduzida do sítio http://f.i.uol.com.br/folha/cotidiano/images/12160356.jpegcupava o cargo de Secretário-Geral da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência.

Seus principais estudos giram em torno da Sociologia da Religião. A melhor edição do clássico “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” (na opinião do editor deste blog), de Max Weber, publicada no Brasil, carrega a organização de Pierucci. Como homenagem a este grande cientista e pensador, indicamos a leitura de um dos seus artigos, intitulado “De olho na modernidade religiosa”, cujo primeiro parágrafo encontra-se abaixo e o link para a leitura completa também.

Como a sociologia em relação à modernidade, assim a sociologia da religião só tem cabimento se for capaz de uma sociologia da modernidade religiosa. É a convicção epistemológica que sustento e me sustenta como especialista.


Continuar leitura…

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Uma hora com Maria da Conceição Tavares


Economista Maria da Conceição Tavares completa
80 anos e permanece com as suas atividades acadêmicas

A economista nascida em Portugal, mas brasileira por opção e de coração, Maria da Conceição Tavares (saiba mais), completou 80 anos em 2011. Ela prossegue com as suas atividades de pesquisa e docência na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O canal Globo News entrevistou a intelectual por quase uma hora, em conversa que perpassou diversos assuntos.

Conhecida por sua participação intensa nos debates econômicos desde a década de 1960, Tavares carrega o rótulo de “agressiva”, embora se mostre bastante disposta e por muitas vezes sorridente no vídeo acima. Trata-se de mais uma aula de economia política ministrada por Maria da Conceição Tavares. 
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terça-feira, 5 de junho de 2012

A impunidade e a sociedade da disciplina e do controle: um olhar à luz de Foucault


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor


Uma das afirmações bastante difundidas no Brasil atual diz respeito ao vício da impunidade, sempre associado aos percalços da violência, da corrupção e ao funcionamento dito ineficaz do Estado. Os desvios encontrados nesse país seriam, tanto para alguns representantes dos meios de comunicação, quanto para determinados grupos sociais, frutos da percepção de que nada acontece para aqueles que burlam as leis e as condutas consideradas adequadas na convivência cotidiana. Os desesperados bradam em uníssono: pena de morte aos vagabundos!

Sem desconsiderar a relevância de tais sentenças (com exceção da última, fora de cogitação para quem vos escreve), contanto que deixemos claro que os fenômenos sociais não possuem causas únicas, no que concerne às suas querelas, pretendemos aprofundar a reflexão acerca das questões supracitadas. De fato, a trajetória das sociedades ocidentais nos últimos séculos conformou uma tendência a naturalizar as decorrências de relações sociais construídas historicamente, por agentes sociais protagonistas das situações que, portanto, nada carregam de naturais, objetivas ou imutáveis. É imperativo enfatizar isso, no intuito de evidenciar nossa concepção de que conviver com a impunidade não simula um fator intrínseco ao povo brasileiro, sejam quais forem os argumentos desferidos em favor dessa posição.

Na medida em que entendemos as sociedades contemporâneas sob o prisma da complexidade, apresentaremos, na tentativa de buscar as suas características, algumas das abordagens centrais de Michel Foucault, relacionadas à punição, controle e disciplina. Por intermédio das colocações do pensador francês, ofereceremos subsídios para problematizar as relações sociais da contemporaneidade, indo além de respostas fechadas, como a ideia de impunidade – e suas contrapartidas, conectadas aos projetos de punições severas por excelência – sugere em diversos momentos.