Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor
Na volta às aulas, em meio ao desânimo quase geral, uma conversa ganha relevo:
- Acho que o melhor a fazer é largar tudo, juntar o que sobrar de dinheiro e fundar ou se mudar para uma comunidade alternativa. Integrar a natureza e esquecer todas as tretas da cidade grande. Deixar de consumir o que nos consome.
- Pois é. Até entendo essa postura, ela se associa bem ao nosso tempo. Algo como “procure fazer a sua felicidade que o resto todo será feliz”. Uma filosofia que beira o utilitarismo, sem nomeá-lo. Também tenho a vontade de baixar o ritmo, ficar mais perto do mar, botar o pé na grama e respirar um ar mais puro.
- Então, é disso que eu tô falando!
- É, mas a minha vontade é a minha vontade. Que pode até se consolidar, numa cidade em que essas características existam. Não posso e não quero, entretanto, eximir-me da minha parcela de responsabilidade para com os grandes problemas do mundo. O destino dos outros cruza o meu e o teu destino. Não consigo isolar-me e satisfazer-me com a minha felicidade somente. Por isso escolhi ser professor. Para construir saberes coletivos sobre o mundo, sobre a vida dos seres humanos e, assim, tentar contribuir com um mundo menos desigual, injusto e opressivo. Para que todos nós possamos sonhar.
Do desânimo à reflexão. Da reflexão ao retorno às atividades profissionais.
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