ABORDAGEM ARTESANAL, CRÍTICA E PLURAL / ANO 3 (18)

América do Sul, Brasil,

segunda-feira, 27 de março de 2017

Aula Magna na Licenciatura em Ciências Humanas da Unipampa, câmpus São Borja


No dia 23 de março, em São Borja (RS), cheguei pensando que estava numa terra de dois presidentes depostos pelos donos do poder desse país tão complexo. Com a minha fala na Aula Magna do curso de Licenciatura em Ciências Humanas da Unipampa, tentei colaborar criticamente para um debate de ideias sobre a Reforma do Ensino Médio, o contexto educacional e político brasileiro e as alternativas para a melhoria da nossa educação formal. A conversa com os estudantes e colegas professores foi muito promissora e me mostrou, mais uma vez, que não estamos sozinhos na busca por liberdade e igualdade para todos. Agradeço aos colegas da Unipampa - São Borja pela oportunidade e acolhida.


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quinta-feira, 9 de março de 2017

Marchando com elas

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Se ontem tivemos a retrógrada declaração de um governante associando a mulher ao lar, aos filhos e ao supermercado, como se essas tarefas fossem exclusivamente femininas, também presenciamos as marchas das minas espalhadas pelo mundo, uma grande demonstração de força da luta pela igualdade de gênero. Se parecemos imersos numa ofensiva daqueles que pretendem retornar à Idade Média, se isso parece estrangular o tempo presente, também é notável que a busca para tirar do papel a liberdade e a igualdade para todos não é um devaneio, mas, sim, uma necessidade prática para muitas e muitos. O velho desafia o novo a se reinventar, o saldo disso tudo ainda está em aberto e a cada dia temos a chance de fazer diferente.

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domingo, 5 de março de 2017

Depois do carnaval

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

O fim do carnaval marca o retorno ao compasso do cotidiano. Nas férias, por diversas vezes pensei nas dificuldades e no peso da vida que estamos levando nas grandes cidades. Relaxado, integrado aos lugares que frequentei, vivendo com simplicidade e num ritmo bem menos acelerado, fiquei viajando nos motivos que teríamos para temer ou não o futuro próximo.

De fato, não só do ponto de vista nacional, mas do contexto atual da globalização, é possível indicar sinais de que os tempos vindouros podem ser preocupantes. Sem conseguir dar sentido às nossas vidas hiperconectadas, hiperaceleradas e hiperpolarizadas, parece que a cada dia as promessas modernas de liberdade e igualdade sucumbem quando são confrontadas ao cotidiano feito de desigualdades, violências, violações e desejos frustrados. A gente quer o mundo, parte pra cima e busca conquistá-lo, mas nós sequer sabemos com serenidade se realmente desejamos tudo isso.

Enquanto as férias ainda são consideradas um direito do trabalhador, tenho procurado encontrar o que me falta o ano inteiro. É óbvio que não encontro tudo e que são apenas férias. Por isso, o negócio é acampar. Sério mesmo. No acampamento, a gente opta pelo simples, por fazer o tempo passar mais suave e ficar mais sensível ao que realmente importa. Fazer a própria comida, com calma, sem neurose, sem celular, sem se importar se for uma comida básica, nada gourmet. Conversar com as pessoas, ao vivo, trocando olhares. Misturar sotaques, histórias e culturas numa roda de mate e de alegria. Se for perto da praia, então, os dias passam inteiros, e a vida ensaia se completar.

Agora, no início de mais uma temporada nessa aventura que é ser professor, continuo repleto de dúvidas, angústias e desejos. Há indícios de que a marcha na direção de uma imprevisível tormenta acelerou de vez. Ainda assim, outras vidas estão por aí, comunicando e fazendo pequenas redes de cooperação, solidariedade e amizade. O que virá desse caldeirão pode nos trazer maiores temores ou fomentar novos sonhos. Nesses sonhos, amar e mudar as coisas me interessa mais.

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