ABORDAGEM ARTESANAL, CRÍTICA E PLURAL / ANO 3 (18)

América do Sul, Brasil,

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

O tempo

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Bebia um café e escutei: "Tão jovem e só tem mais seis meses de vida".

Com Legião Urbana na cabeça, toquei nos meus vazios, erros e naquilo que poderia ter sido e feito diferente até aqui. O tempo é precioso demais... e se o meu acabar amanhã?

Ao me observar, também achei amor. Olhei para o céu e voei, como um pássaro, até a lua e seus encantos. Li os discos que tenho ouvido, dancei com os livros que tenho lido, apreciei aromas e sabores prediletos.

Sorri à vida, ao Sol e ao mar. Agradeci às boas conversas, aos carinhos e afetos de quem, sabendo minhas imperfeições, escolhe dividir seu tempo comigo.

Não temos tempo a perder. Porque se o mundo tá repleto de tretas, umbigos e indiferenças, o fato é que o "nosso suor sagrado, é bem mais belo que esse sangue amargo. E selvagem!".

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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

A educação e seus reais problemas

 Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Mais uma vez, acompanhamos uma galera rindo dos atrasados do ENEM. A "piada", por si sem graça, tira o foco de assuntos mais importantes. A ausência de qualquer referência à ditadura civil-militar na prova de Humanas, por exemplo.

Além disso, os dados do ENEM, como a vasta literatura científica, mostram que estudantes de classes sociais vulneráveis raramente alcançam os melhores desempenhos educacionais. Sabe-se, também cientificamente, que boas escolas, pedagogias diversas e condições de aprendizagem adequadas podem reverter desvantagens sociais.

Hoje, uma visão autoritária e atrasada, somada ao abandono do Estado no financiamento da Educação, esconde e aprofunda nossos principais problemas - renegando, ainda, as alternativas existentes e aquelas a fazer.
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terça-feira, 15 de outubro de 2019

Ler o mundo, ser você mesmo

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Uma vez, uma aluna me perguntou, durante um conflito em sala de aula: "Ah, então me diz, professor serve pra quê?" Fiquei desconcertado.

De dentro, respondi meio estilo Paulo Freire: "Por aí a gente vê professor doutrinando as coisas de sempre; pregando moral; ensinando coisas úteis pra tarefas diversas; mas, pra mim, o professor serve pra ajudar a ler o mundo, e pra ajudar a gente a ser a gente mesmo".

Ela ficou me olhando e silenciou. E eu, que tenho tantas dúvidas, que por vezes tenho dificuldades pra ler o mundo, acabei me dando conta: é exatamente a resposta que dei o que me motiva a continuar.
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