ABORDAGEM ARTESANAL, CRÍTICA E PLURAL / ANO 13

América do Sul, Brasil,

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Tempo de viver

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Viver é oscilar entre o peso e a leveza da existência. Essa ideia não me sai da cabeça desde que li Milan Kundera pela primeira vez. Na constante busca por cultivar meus sonhos pelas manhãs, a primavera chega como um tambor pulsando alegrias na voz de Milton Nascimento.

Entre os perrengues íntimos e as mazelas de um país assombrado pelo carrego neofascista, é preciso manter o vigor e a chama da leveza. Oscilar, mas também se firmar. Entre dias, horas e semanas mobilizadas pelo trabalho e pelos estudos, é preciso intensificar amizades e afetos e não deixar a bola cair.

Aqui, nesse guichê-escriba, a bola, o futebol, o futevôlei e a altinha são algumas das coisas que fazem a cabeça, para além da labuta. Eu e você sabemos que o melhor que a gente tem na vida é feito de miudezas cotidianas. É viver ao lado das nossas gentes; a abelha fazendo o mel; a estrela cair do céu; e é lembrar que o sono alimenta de horizontes o tempo de viver.

O mar anda agitado, mas a gente insiste em nadar. Daqui a alguns dias teremos um grande desafio coletivo. Mesmo com o melhor dos resultados, o assombro vai permanecer. Ainda assim, na corda bamba, vamos adiante. Sabendo que tudo o que move é sagrado, e remove as montanhas com todo o cuidado, meu amor!