ABORDAGEM ARTESANAL, CRÍTICA E PLURAL / ANO 3 (18)

América do Sul, Brasil,

domingo, 16 de março de 2014

O discurso vazio sobre os impostos


Por Mariana Schreiber
Da BBC Brasil

Reclamar dos impostos é hábito comum da elite brasileira. Mas uma comparação internacional mostra que a parcela mais abastada da população não paga tantos tributos assim. Estudos indicam que são justamente os mais pobres que mais contribuem para custear os serviços públicos no país.

Levantamento da PricewaterhouseCoopers (PWC) feito com exclusividade para a BBC Brasil revela que o imposto de renda cobrado da classe média alta e dos ricos no Brasil é menor que o praticado na grande maioria dos países do G20 – grupo que reúne as 19 nações de maior economia do mundo mais a União Europeia.

A consultoria comparou três faixas de renda anual: 70 mil libras, 150 mil libras e 250 mil libras – renda média mensal de cerca de R$ 23 mil, R$ 50 mil e R$ 83 mil, respectivamente, valores que incorporam mensalmente o 13º salário, no caso dos que o recebem.

Nas três comparações, os brasileiros pagam menos imposto de renda do que a maioria dos contribuintes dos 19 países do G20.

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sábado, 15 de março de 2014

Pura alucinação

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Estranhei. Sem entender como, observava a humanidade através de um grande espelho. O universo de cada um estava na palma da sua mão. Sensores levavam os sons universais até os ouvidos. As pernas não serviam para nada. O transporte era todo realizado através de máquinas individuais. As pessoas viviam curvadas, contrariando o bipedismo. Quase ninguém se olhava.

Temi. Que triste realidade era aquela? Daquele jeito, ainda seríamos seres humanos? Então, fui tocado no ombro. Escutei a batucada à minha volta. Vi a alegria dos dançantes ao meu redor. Mais calmo, entendi: tudo não passou de uma grande alucinação. Pura alucinação.

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terça-feira, 11 de março de 2014

Do lixo, a vitória da esperança

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Era uma cidade maravilhosa. Cheia de bonitezas. Nas gentes, nos contornos naturais. Lá, como em vários lugares, os responsáveis por recolher o lixo produzido pela sociedade apenas sobreviviam. Pobres, constantemente humilhados, tratados como os objetos que recolhiam, eles e elas atravessavam a sua existência no planeta com muitas dificuldades. Mesmo assim, os principais cartões-postais da metrópole seguiam asseados no cotidiano.

Certa vez, o prefeito daquelas bandas aprovou uma lei que multava quem jogasse lixo no chão. Interessante. Chegou o carnaval. Amontoaram-se os turistas. O prefeito jogou lixo no chão e as câmeras captaram. Em paralelo, os servidores da limpeza resolveram não mais servir. Cruzaram os braços e pediram melhores condições. De vida, de trabalho, de remuneração. Bradaram por mais humanidade.

A mídia (que desinforma) berrou como um bebê. Os moradores dos bairros nobres espernearam. A repressão cresceu. O lixo também. “Mó vacilão esse prefeito! Tinha que ralá peito de lá, porra!”, ouviu-se pelas quebradas. A coisa ficou feia, suja e fedorenta.

Das ruas veio a vitória. Com mobilização, sem implodir a tudo e a todos. O salário dos garis aumentou. Vitória da esperança.

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