ABORDAGEM ARTESANAL, CRÍTICA E PLURAL / ANO 3 (18)

América do Sul, Brasil,

sábado, 23 de abril de 2016

PET em Debate: Por que ser professor(a)?


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

PET em Debate - Por que ser professor(a)?
Foto: Grupo Práxis - PET Conexões de Saberes (UFFS - Erechim).


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No dia 13 de abril, no Auditório do Bloco A da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Erechim, participei de um intenso e recompensador debate sobre a profissão docente. O evento, proporcionado pelo Grupo Práxis - PET Conexões de Saberes, com a tutoria do Prof. Dr. Thiago Ingrassia Pereira, contou com ótimo público e propôs a seguinte questão: por que ser professor(a)?

Em conjunto com o Prof. Dr. Dilermando Cattaneo, docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), campus Litoral Norte, tentei delimitar possibilidades de respostas para a indagação do evento. Basicamente, meus argumentos giraram em torno da ideia de que lecionar é um ofício importante, na busca por uma sociedade com menos ódio e aberta ao pensamento como atividade preparatória para o conhecimento.


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terça-feira, 19 de abril de 2016

Tristes páginas

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Por vezes, gosto de pensar na vida de cada um de nós como um livro. Deve ser porque gosto muito de livros. Se tudo der certo, e o meu livro tiver mais uns 20 anos de páginas, fico curioso para saber o que estará escrito sobre o domingo passado, 17 de abril de 2016.

Confusão, dúvidas e conflitos estarão presentes. A iniciativa de tirar uma Presidente da República, eleita com mais de 54 milhões de votos, em virtude de "pedaladas fiscais", vai ter um bom espaço. Mas não vão estar lá os parlamentares que detalharam o crime na tribuna, argumentaram com esmero o seu voto. Isso não aconteceu. De certo, lá estará escrito: "era um momento em que parte da população aderia ao lema de que os fins justificam os meios, e derrubar o partido no poder era o fim maior".

Ora, só isso não basta para preencher as páginas atuais do livro das nossas vidas. Vai ter que estar lá o absurdo de um parlamentar, eleito numa democracia, enxovalhando a própria democracia, elogiando um sujeito acusado de mil corrupções e defendendo a tortura de pessoas alheias. Os seus millhares de seguidores não serão absolvidos, mancharão as linhas dos nossos dias, estarão presentes como resquícios da barbárie. Tristes páginas serão essas, marcadas por dias difíceis, mas também por dias de resistência ao ódio e ao impulso de destruição.

Quero ter a chance de ler as páginas seguintes com mais alegria. Que os episódios narrados sejam de novos rumos, de bem menos desigualdades, bem menos violência institucionalizada contra mulheres, negros, pobres e homossexuais, trabalhadores e trabalhadoras. Com mais oportunidades e respeito. Cabe a nós a escrita dessas páginas.
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terça-feira, 5 de abril de 2016

Gods of the Modern World

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Gods of the Modern World, de José Clemente Orozco

“Gods of the Modern World”, painel 15 da série “The Epic of American Civilization”, pintado pelo mexicano José Clemente Orozco (1883-1949), entre 1932 e 1934, inspira a reflexão sobre o papel do saber e do conhecimento na vida humana. A obra, localizada na Baker Library*, no Dartmouth College, em Hanover (EUA), tem me prendido a atenção e me feito pensar no cotidiano da atividade de professor.

Penso no que Max Weber chamou de “especialistas sem espírito”, frutos da racionalização constante da vida, em que a educação e o conhecimento podem servir mais para treinar do que para qualquer outro desígnio. Penso e me repenso. Penso, ainda, em um dos livros que estou lendo, “O mestre ignorante”, do filósofo francês Jacques Rancière. Dá pra deixar de ser um “explicador” de conteúdos, um embrutecedor do saber e das pessoas, para buscar a emancipação e a liberdade, através da motivação para conhecer?

* Vale fazer uma visita virtual na obra completa, direto da Baker Library, nesse link: http://www.dartmouth.edu/digitalorozco/app/.

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