ABORDAGEM ARTESANAL, CRÍTICA E PLURAL / ANO 3 (18)

América do Sul, Brasil,

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

O náufrago e a primavera

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Como se uma década se fosse, a primavera chegou. Diante de tantas telas, é como se eu escrevesse mensagens diárias e as colocasse em garrafas, para o náufrago que me habita nesses tempos de destruição.

É como se, diante das chamas da ganância queimando a chama de vida que emerge das florestas e dos outros animais, essas garrafas encontrassem meu naufrágio e afirmassem: segue o barco, planta sementes.

É como se, diante dos mentirosos genocidas e sua horda de canalhas desprezíveis, tais mensagens brilhassem o sorriso da gata, a fala da intelectual preta que me ensina, o amor dos rapazes que passeiam de mãos dadas ou a energia das cordas e dos tambores.

Não é questão de otimismo ou pessimismo. É que o tempo não para. O substantivo, na prática, pode virar verbo. E, enquanto existir, resistir - ele nunca e nunca desistir. Nenhum futuro será por acidente.

.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Max Weber e a objetividade do conhecimento das Ciências Sociais


Bernardo Caprara

Sociólogo e Professor
 
O vídeo tem como objetivo apresentar a obra de Max Weber, enfatizando seus aspectos epistemológicos, em relação com o "fio condutor" do seu pensamento (o processo de racionalização da vida).




O vídeo se divide em cinco partes, sendo que os detalhes dos conteúdos de cada parte estão descritos abaixo:

(1) Revisão dos conteúdos dos vídeos 01, 02 e 03: ciência moderna, empirismo, positivismo e materialismo dialético;

(2) Weber e Marx: crítica weberiana ao determinismo econômico marxista e afinidade eletiva entre o "ascetismo intramundano" do empresário protestante e o "espírito" do capitalismo na sua origem;

(3) Weber, aspectos gerais: múltiplos temas de pesquisa, racionalização como fio condutor do pensamento weberiano e a relação entre a ciência e o "desencantamento" do mundo;

(4) Weber, epistemologia: antinaturalismo e crítica ao positivismo, limites da quantificação nas ciências humanas, causalidade, valores e interpretação, tipos ideais e neutralidade axiológica;

(5) Conclusão: diagnóstico weberiano da modernidade, diálogo com diagnóstico marxiano (reificação/racionalização), dilemas da "gaiola de ferro/carapaça dura" (voluntarismo da ação na proposta metodológica x determinismo da ação nas pesquisas realizadas?).

Acesse também:

As referências que fundamentam o vídeo são: FREUND, Julien. Sociologia de Max Weber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1975; OLIVA, Alberto. Ciência e ideologia: Florestan Fernandes e a formação das Ciências Sociais no Brasil. Porto Alegre: EdiPUCRS, 1997; PIERUCCI, Antônio Flávio. O desencantamento do mundo: todos os passos do conceito em Max Weber. São Paulo: Editora 34, 2013; SELL, Carlos Eduardo. Max Weber e a racionalização da vida. São Paulo: Vozes, 2013; VANDENBERGHE, Frédéric. Uma história filosófica da sociologia alemã: alienação e reificação. Volume 1: Marx, Simmel, Weber e Lukács. São Paulo: Annablume, 2012; WEBER, Max. Metodologia das Ciências Sociais. 5a edição. São Paulo: Cortez / Unicamp, 2016; WEBER, Max. A ética protestante e o "espírito do capitalismo". São Paulo: Companhia das Letras, 2004.WEBER, Max. Ciência e política: duas vocações. São Paulo: Cultrix, 2011.

.

domingo, 26 de julho de 2020

Blog em movimento: da sociologia popular à sociologiartesanal

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

O tempo voa. Em 2008, quando comecei o projeto do blog sociologia popular, no terceiro ano da graduação em Ciências Sociais, tinha a ideia de construir um espaço digital com a meta de tentar divulgar teorias, conceitos e pesquisas sociológicas.

Doze anos depois, com 15 anos de Ciências Sociais e 11 de docência, penso que chegou a hora de o projeto assumir uma nova cara. Agora, ainda que a meta inicial permaneça implícita, o projeto de divulgar as Ciências Sociais assume uma feição mais próxima da maneira que desejo trabalhar daqui para frente: procurando uma sociologiartesanal.

O neologismo sociologiartesanal tem inspiração na obra de Charles Wright Mills, mas não traz um fundamento ortodoxo, não se fecha em apenas uma referência. Como diz o Luthier Vicente Carrillo, que representa a oitava geração de construtores de violão, em Cuenca, na Espanha, "o artesanato é a imperfeição da perfeição".

Sem esconder imperfeições, busco uma sociologiartesanal que fomente rigor, pluralidade, criticidade e criatividade, na produção e divulgação do conhecimento, para, quem sabe, ajudar a analisar as principais questões sociais do nosso tempo histórico.

.