ABORDAGEM ARTESANAL, CRÍTICA E PLURAL / ANO 2 (17)

América do Sul, Brasil,

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Querer é poder?

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Maria escutava música. Pela janela, enxergava o lema do indivíduo moderno ostentado na avenida: “Querer é poder”. A moça pensava na vida. Nas suas experiências desde pequena. Viajava no tempo e no espaço. Bastaria o mérito para alcançar o que queremos?

Surpresa, ela vasculhava o seu passado. Problematizava o valor das relações que construíra na sua trajetória até ali. Tentava entender a formação das suas vontades, dos seus desejos e das suas ações. Afinal, as coisas nem sempre deram certo. Eram cheias de idas e vindas. Misturavam-se as suas atitudes e as condições das circunstâncias que se apresentavam.

Algumas oportunidades ela havia conquistado. Era habilidosa. Outras surgiam no desenrolar dos acontecimentos. Sem dúvidas, suas qualidades adquiridas socialmente abriam portas e dinamizavam as possibilidades práticas de execução dos seus desejos. Tudo se revelava um movimento de interdependência entre a sua interioridade e a exterioridade mundana.

Maria acordara. Lúcida, sublinhara para si própria a importância da dedicação. Do foco. Porém, fazer disso um paradigma já era demais. Poderia gerar muita competição e individualismo. Desse jeito, as oportunidades para que todos os dedicados se satisfaçam pareciam ficar ainda mais longe.

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Um abraço em Mandela

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Um abraço. Gostaria muito de ter dado um abraço em Nelson Mandela. Aliás, em Rolihlahla Mandela. Em Madiba. Hoje, no dia da sua morte, sinto esse desejo com maior profundidade.

Mandela é um vencedor. Representa a vitória da humanidade sobre a opressão. Uma vitória, infelizmente, bastante incompleta. Foi-se o Apartheid na África do Sul. Porém, o racismo insiste.

A batalha que Madiba simboliza permanece quando um garoto de cabelos volumosos é determinado pela sua escola a cortá-los. Quando um jogador de futebol sai do gramado em prantos ao ser comparado a um macaco. Quando são reproduzidas piadas racistas. Quando se diz que os negros são inferiores.

Um abraço para Madiba. Para Zumbi dos Palmares. Para todos os Panteras Negras. Para Martin Luther King. Para Malcom X. Para Abdias do Nascimento, João Cândido e Milton Santos. Para a guerreira Dandara. Para Luíza Mahin. Um abraço para Tereza de Benguela.

Um abraço para a África e a negritude espalhada pelo planeta. Um forte abraço.

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