ABORDAGEM ARTESANAL, CRÍTICA E PLURAL / ANO 13

América do Sul, Brasil,

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Minhas queridas avós

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Quis o destino que, no espaço de dois dias, duas das mais importantes mulheres da minha existência nos deixassem. Minhas duas avós estiveram bem presentes na minha vida, em especial na infância e na juventude. Hoje elas brilham nas histórias, memórias e saudades que me constituem.

A Vó Terezinha cuidou de nós, os netos, muitas e muitas vezes, na nossa casa ou em São Leopoldo. Com amor, atenção e cuidado. Não sem antes criar três filhas, com muita força diante de muita treta. Havia as ligações em que o básico era dizer: "Berzinho, a vó te ama muito". E também foram tantos os domingos com a vó na casa da Tia Beta, de almoços e afetos, futebol e diversão, durante tantos e tantos anos. Eu acho que o Xande e o Mano também não vão esquecer aqueles dias.

A Vó Ives cuidou de nós, os netos, tantas e tantas vezes, fosse em Caxias com comidas e tortas gostosas, ou em Rainha verão a dentro. Aliás, aqueles meses em que a semana era nós e a vó em Rainha, ano após ano, me lembram o cheiro de mar e o prazer da bola e dos amigos. É o aroma do afeto amoroso e de lar. Das alegrias do verão. De bicicletas e conversas sobre livros. Das sempre presentes conversas sobre meus estudos. Eu acho que a Ina, a Fran, o Luca, o Max e o Gui também devem lembrar coisas parecidas.

E, assim, com elas, atravessado por elas, eu fui sendo quem eu sou. A dor que me corta hoje é forte, machuca, mas conforta pensar que elas descansaram. Aqui eu sigo na batalha, tentando honrar, com amor e integridade, tudo o que elas me ajudaram a ser. Hoje, como nos tempos em que vivíamos bem perto, tempos de encantar o mundo com os olhos, eu vejo no céu elas brilhando junto das estrelas.